12 de julho de 2009

Viva a matemática?

Sempre que são divulgados os resultados dos exames nacionais, em especial o de matemática, não faltam por ai comentadores, jornalistas ou demais opinantes a avançarem as mais extraordinárias teorias na tentativa de explicar os números.
O ano passado, a teoria do facilitismo da prova de matemática foi dada como a razão pela qual a média foi anormalmente elevada. Este ano a ministra da educação revelou que a razão da descida da média do exame nacional de matemática se deveu à falta de trabalho do alunos motivada pela ilusão de que a prova do ano passado foi fácil.
Os jornais então são peritos em "refazer" as estatísticas usando expressões que apesar de correctas ocultam a verdade. Por exemplo, escrevia o Público que a taxa de reprovação mais que duplicou. Sim, é verdade, no entanto deve-se também dizer que ainda assim a taxa de reprovação ficou abaixo do usual. A média global deste ano ficou também abaixo da média do ano passado mas ainda assim positiva, coisa rara na última década.

Olhemos para as notas da média nacional do exame de matemática de 1997 até 2009.

Sinceramente, olhando para este gráfico, nada posso dizer sobre facilidade do exame, trabalho do aluno, esforço ou qualidade de ensino. Olhando para o gráfico apenas vejo que pouco mais de metade dos exames de matemática realizados entre 97 e 09 tiveram média inferior a 8. Vejo também que desde 2005 se verificou uma subida progressiva da média nacional apenas interrompida em 2009.
Se até este gráfico em termos estatísticos vale o que vale, pois resultados de13 anos de dados são discutíveis, que dizer então da adivinhação que ministros e comentadores fazem baseados apenas na comparação dos resultados do ano anterior!!!
Tanto os políticos como a sociedade Portuguesa parecem caminhar de mãos dadas com o imediatismo e resultados rápidos, esquecendo que a educação não se muda em apenas um ano lectivo. Qualquer análise de notas não se pode restringir à mera comparação com o ano anterior e quaisquer teorias que tentem explicar a-posteriori a dinâmica de trabalho dos alunos ou o facilitismo de uma prova baseados apenas num só número, não passam, na minha opinião, de mera especulação...

Abraços


2 comentários:

Alfredo Pinto disse...

Nisso concordo contigo...

E a tua opinião sobre as "novas oportunidades"? ;)

Luis Carvalho disse...

Amarelinho, sobre o programa novas oportunidades confesso não ter o conhecimento necessário para comentar.
O programa em si tem apenas um ano, salvo erro, e será preciso esperar algum tempo até averiguarmos os seus reflexos, ou não, no tecido empresarial Português e na sociedade.

Quanto ao conceito penso ser bom, ou seja, a ideia de voltar a estudar e de dar a oportunidade às pessoas de completar ou complementar os seus estudos só pode ser boa.

Quanto à operacionalidade penso que é típica do nosso País. Atrasos, burocracias etc... mas isso já é normal.

Um ponto em que estou curioso é averiguar se este programa terá algum impacto no exercício da cidadania. Ou seja, se a melhor educação/informação dos participantes se traduzirá numa melhor participação activa na vida cívica. Por exemplo, no momento do voto ou triagem da boa e má informação fornecida pelos Média...


Abraços

Trans - Siberiano