20 de março de 2008

Akordo ortográfico...

"De fato, tomei a ação de batizar o post de “Akordo Ortográfico”, porque acho ser um ótimo exemplo de como podemos vir a escrever em 100 ou 200 anos."

O excerto anterior está escrito de acordo com a nova grafia que será oficial em Portugal (excepto o Akordo claro) assim que o acordo ortográfico for rectificado... Pode parecer estranho no inicio, mas tudo será uma questão de hábito... As próximas gerações já nem notarão diferença, porque só vão conhecer a nova grafia...

Antes de escrever este texto li muitas das vantagens que tal acordo trará... Custos económicos evitados devido a ausência de traduções oficiais, a crença de que tal acordo facilite a difusão da língua Portuguesa, programas de formação de professores de Português que poderão agora ser iguais em todos os Países de língua oficial Portuguesa. Definição de uma política linguística comum dos Países da CPLP, materiais pedagógicos que podem ser adoptados em qualquer País Lusófono... enfim, um rol de claras vantagens que o acordo trará... Não as contesto, a maioria, (não todas) são mais que evidentes...

Depois de reflectir sobre o assunto e de estudar todas as vantagens que o acordo trará, decidi, que não sou adepto do acordo ortográfico...

A primeira falácia que se detecta é o mito de que a difusão do Português será facilitada, apesar de o Português já ser a quinta língua (falantes nativos) mais falada no Mundo. Não concordo e penso que há aqui um engano. Mas, mesmo admitindo que a difusão do Português venha a ser facilitada com este acordo, eu simplesmente não estou interessado nisso... Não me interessa ter meio Mundo a aprender Português, quero que este permaneça pouco difundido, especial, estranho aos ouvidos de muitos... Não o quero como uma língua instrumento (como o Inglês) ou como uma língua moda (caso do Espanhol) apenas o quero falar na minha terra... mais nada.

O acordo o que faz é unir, reunir debaixo do mesmo conjunto de regras a grafia do Países Lusófonos... Eu não gosto disso... Gosto de ver as línguas a evoluirem por si... quer em linguagem falada quer em grafia... Quero que o Português escrito no Brasil seja diferente do que é escrito em Portugal, quero que as regras sejam adoptadas em cada País e por cada País... Estamos a matar desde já a possibilidade de as grafias evoluirem ao seu belo prazer... Que mania é esta de estar sempre a uniformizar as coisas... Existe algum mal na diferença? A base é a mesma, o Português, mas, será que isso implica que agora tenhamos todos de escrever igual... Mais, o acordo é tão ridículo que só 1.6% das palavras em Portugal serão alteradas... Isto para mim quase que nem é acordo...

Deixem as grafias dos Países Lusófonos evoluirem... deixem-nas até, no extremo, tornarem-se incompreensíveis, isso seria lindo... Povos únicos que incorporaram a língua Portuguesa e lhe deram uma outra identidade gráfica...

Imaginem que são arqueólogos no ano 4500. Se escavarem no que foi antes Portugal encontrão documentos com igual grafia aos encontrados no Brasil, Angola, Cabo Verde... Já ninguém se vai lembrar de como o Português em Portugal ou no Brasil era falado... O que deixamos para o futuro são objectos, representações...Porque vamos já hoje unir essas representações e faze-las caminhar de mão dada?

Reitero... será a diferença gráfica uma coisa assim tão má?



1 comentário:

Pacheco, José disse...

Gosto da tua, porventura, visão romantizada da coisa. Inicialmente quando ouvi no noticiário sobre esta alteração achei uma estupidez brutal.

Como explicas muito bem, todos temos orgulho no que é nosso. Certamente seria mais fácil aceitar que os outros países escrevessem exactamente como nós. Perdemos o que é nosso por causa da "Uniformização". bahhh... e que tal inventarmos a roda outra vez, acho que andamos a precisar disso.

Trans - Siberiano