4 de janeiro de 2008

Milão... O constatar de uma não planeada evidência.



Nunca acreditei no destino... Quando me falam em destino a única imagem que me vem à cabeça é a de um iogurte de banana na prateleira de um supermercado. Aquele iogurte tem a sua “vida” predefinida, será comprado, comido e a embalagem será deitada fora. Aquele iogurte tem um prazo de validade e um sabor predefinido por alguém vestido de fato branco sentado num laboratório esterilizado. Esta é a minha visão do destino, e não me importo de dizer, destino? não obrigado...Mas porquê aqui? Porque fui eu pensar no destino na cidade de Milão?

A resposta não é simples...
Num misto de conforto e supresa dou por mim com saudades de Potsdam... Se por um lado é bom, uma vez que conto lá passar esta nova fase da minha vida, por outro não posso deixar de estranhar uma coisa, a necessidade de voltar a um estilo de vida e a uma cultura aos quais me habituei inconscientemente.

Milão...

A praça está apinhada de gente e tudo é tão vulgar, superficial, diria mesmo, fingido... Os mármores e as fachadas ostentam opulência, as lojas exibem brilho oco de desejo e as roupas retractam as paixões consumistas ingénuas e efémeras dos seus donos. Itália possui tudo aquilo que eu esperava, cultura, bom gosto, história e também alguma loucura e desorganização típica de um País do Mediterrâneo.. enfim, tudo aquilo que é promovido numa qualquer companhia de viagens ou livro turístico. Mas falta algo. Pensei que iria ser mais fácil gostar deste País do que da Alemanha... Sabem que mais? Não foi isso que aconteceu...
Procurei então na miscelânea de saudades bárbaras o motivo para tal sentimento...


Sim, é verdade que os Alemães não são o povo mais simpático do Mundo nem o mais acolhedor. Também é verdade que a sua mania da perfeição faz com que se tornem muito competitivos uns para com os outros. A sua língua é ainda um desafio, quer por preguiça minha quer por ser uma das línguas menos atractivas que ouvi. Poderia apontar ainda outros ditos “defeitos” da Alemanha e dos Alemães ou então singularidades culturais, para ser mais simpático... Poderia dizer muito, mas não o vou fazer... nesta praça em Milão descobri uma coisa nova. Pelo pouco que vi Milão é uma cidade linda... só que é uma cidade linda que simplesmente não existe...


Milão não existe? Como assim?

Pode parecer estranho mas sou da opinião que Milão é mais um estilo de vida do que uma cidade... Retirem ás pessoas os óculos de sol Gucci, dispam-nas das roupas de jovens estilistas em ascensão, apaguem os projectores do Scalla. Depois de fazerem tudo isto sabem o que resta? Uma banal cidade Europeia... Penso que o orgulho de ser Milanês é directamente proporcional ao investimento monetário pessoal feito em artigos de design e de contentamento momentâneo...Os pedintes nas ruas roçam o mal criado, abordando as pessoas e quase que não pedem, exigem... Parece que por estarem na capital do estilo têm o direito de exigir dinheiro aos transeuntes...

Enfim...

Para mim Milão é apenas uma linda fachada de brilho insípido e imaterial... Conclusão, com todos os seus “defeitos” dei por mim com saudades de Potsdam e de Berlim. Sem estilo, sem design sem aparências, mas com algo que está em grande défice em Milão, a sinceridade... Na confusão de pessoas que povoavam esta praça em Milão fiquei contente por não ter vindo trabalhar para esta cidade. Mas o responsável por isso ter acontecido não foi o destino, fui eu que apanhei o avião certo...

Que não fiquem dúvidas.. Milão vale a pena conhecer pelas suas "fachadas", pois para ser sincero, conteúdo encontrei pouco...



1 comentário:

Gó disse...

Hallöchen...
Eu não disse que te irias habituar e que um dia sentirias saudades da Alemanha?
Quanto a Itália, nada de novo... passei e senti o mesmo... é só fachada...
Beijinho e fica bem.

Trans - Siberiano