19 de maio de 2007

Um dia louco em Sevilha...

As formas das sombras fundem-se e separam-se no chão com uma facilidade incrível. Distingo pessoas, animais e objectos enquanto descanso à sombra de uma das muitas colunas de pedra da Praça de Espanha em Sevilha.

A viagem correra bem, dormi durante quase todo o voo, apesar de cansado à chegada decidi fazer imediatamente planos para o dia seguinte, afinal de contas a semana ia ser muito preenchida e havia muitas coisas para ver. O dia fora longo, o pequeno-almoço fora tomado num café chamado “Coliseo”, quando me preparava para sentar na única cadeira disponível deparo com a chegada de um senhor de idade que aparentava ser um cliente regular. De imediato cedo-lhe a minha cadeira, o senhor agradece e convida-me a fazer-lhe companhia. Um dos empregados trás outra cadeira e ambos nos sentamos ao balcão. Depois de saber que eu era Português e que só teria um dia para visitar a cidade o senhor de idade oferece-se para me fazer uma visita guiada pelo centro de Sevilha de modo a retribuir a minha simpatia…

- Todas as ruas têm uma história, todas as portas, todas as pedras que agora vês. As suas palavras transbordavam calma e sabedoria enquanto caminhávamos lentamente pelo calor de Sevilha. As ruas pareciam labirínticas, mas como estava acompanhado por um habitante local não me preocupei com o facto de me poder vir a perder. Visitamos inúmeros locais, o Arquivo onde está a documentação das viagens da Armada Espanhola às Américas, a “Plaza de la contratacion” onde foi vendido o primeiro escravo vindo da América do Sul, a casa que Franco usava nas suas deslocações à cidade e é claro a fantástica catedral de Sevilha, a segunda maior catedral católica do Mundo. Já visivelmente cansado o simpático senhor toma o caminho para sua casa desejando-me uma boa estadia e um bom resto de dia. Eu agradeço a disponibilidade e antes de me despedir pergunto o seu nome… O simpático senhor diz que se chama tal como todos os outros na rua.
Sevilhano, diz ele… E sem dizer mais nada desaparece na sombra da rua pela qual havíamos chegado…

O barulho era familiar, as línguas também… Inglês? Em Sevilha? Estranho… Contorno a Catedral e deparo com um “Irish Pub”. Bem, não é muito típico mas como queria mesmo ver a corrida decidi entrar. Mesmo a tempo, faltavam apenas dois minutos para o início do GP de Espanha quando me sento ao balcão mesmo ao lado de um senhor que dava ares de ser Americano… Partida…

- Quem vai à frente? Pergunta-me o tal senhor…
Eu prontamente respondo e logo de seguida pergunto-lhe se é Americano… Ele responde-me que sim…

- Como sabes que sou Americano?

- Porque o senhor está a ver a F1 e não está a perceber nada do que se está a passar…
Depois de um breve silêncio ele começa a rir… e responde…

-Sabes, tens toda a razão…

A conversa durou uma hora e meia, discutimos política desporto e trabalho, vim a saber que é um arquitecto de San Diego chamado Jerry Winges, deu-me o seu contacto e a morada da página web onde podem ver alguns dos seus trabalhos…

Olho para o relógio, O amigo Philip, um Sul-africano de origens holandesas que também vai atender à conferência está à minha espera, corro para apanhar o 22, por agora não posso escrever mais…

3 comentários:

Ana Raquel disse...

Bom dia...
Mas que dia agitado.... Mas pelas tuas palavras, foi um dia excelente...
Quando visitamos uma cidade e temos o prazer de ter alguém da terra a fazer de cicerone, vemos uma parede, um telhado, uma praça com um outro olhar...
Estou de partida... Volto a escrever quando já estiver em solo alemão...
Beijinho

Tiago disse...

Men, mas k dia.... ehehe Sevilha eh mais linda pintada de azul e branco... e xeia de irlandeses!! Abraxo

Speeder_76 disse...

Muy bueno... agradeço por teres postado no meu blog. Como rebateste de uma forma civilizada o meu post, devo fazer os esclarecimentos devidos:

1 - Aqueel post era um excercício (mal feito) de ironia sobre o título do Porto. Confesso que não tinha ilusões sobre uma eventual reviravolta do campeonato, mas como a nossa imprensa futebolistica (sim, temos um jornal para cada grande) gosta de alimentar expectativas, para vender os seus jornalis, houve uns que engoliram isso...

2 - Sou honesto: o Sporting e o Benfica, quando vencem, glorificam o seu clube, e quando insultam, é ao presidente do Porto e não aos adeptos. Conheço muitos portistas e sou amigo deles, e muitos deles não gostam que os seus adeptos insultam os adversários. Isso para mim é triste...

3 - A comparação entre o nosso campeonato e o da Roménia ou da Bulgária pré 1989 é, obviamente, exagerada. Mas ver o mesmo clube a ganhar vezes seguidas, começa a ser cansativo, e aquelas polémicas todas que têm vindo a público, leva a que as pessoas pensem que nem todos os campeonatos ganhos pelo Porto, no tempo do Pinto da Costa, foram limpos...

Gosto de ver que tens excelentes blogs. Vamnos a ver se tenho espaço para os acrescentar... continua o bom trabalho, e se gostares do meu, divulga-o aos teus amigos. Quantos mais melhor! Um abraço.

Trans - Siberiano